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Economia: O que esperar do 3T24? 

03/06/2024

Economia: O que esperar do 3T24? 

Se você tem acompanhado a evolução do mercado de renda variável no Brasil ao longo dos primeiros dois trimestres de 2024, observou-se uma dinâmica particularmente interessante na Bolsa de Valores, refletindo não apenas o comportamento das ações, mas também as tendências de mercado que influenciam os resultados e expectativas dos investidores.  

À medida que o terceiro trimestre se aproxima, é importante entender quais áreas vêm se destacando e quais são as projeções que podem direcionar as perspectivas de investimento em renda variável, considerando os resultados já observados e as condições de mercado atuais.  

 

Mercado de renda variável: 1º Trimestre (1T24) 

O início do ano de 2024 apresentou um mercado de renda variável com desempenhos mistos, refletindo um ambiente econômico desafiador. No primeiro trimestre, foi observada uma queda na performance do Índice Bovespa. 

A Bolsa de Valores do Brasil (B3) relatou uma receita estável em R$ 2,5 bilhões, levemente abaixo do último trimestre de 2023. O lucro líquido ajustado chegou a R$ 1,1 bilhão, sendo 7,1% menor na comparação ano a ano, porém com um aumento no último trimestre do ano anterior. 

As ações enfrentaram um período de retração, com o volume financeiro médio diário em ações à vista recuando para R$ 23,6 bilhões, evidenciando uma diminuição tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao mesmo período do ano passado.  

Em contrapartida, os derivativos listados mostraram elevação, com um volume médio diário de 6,7 milhões de contratos, um aumento sequencial e anual. 

Para você, investidor, o cenário demanda atenção às tendências econômicas e aos indicadores de mercado, como as taxas de juros, que seguiram em trajetória de baixa, impactando a atratividade da renda variável 

 

Mercado de renda variável: 2º Trimestre (2T24) 

No segundo trimestre de 2024, nota-se um ambiente de renda variável que refletiu uma dinâmica interessante. No mercado brasileiro, a B3 manteve uma receita estável de R$ 2,5 bilhões, mantendo-se alinhada com os índices dos trimestres anteriores.  

Porém, o lucro líquido recorrente sofreu um declínio modesto para R$ 1,2 bilhão, com recuo em relação aos períodos correspondentes do ano passado e ao trimestre inicial de 2024. 

No decorrer deste período, os investimentos em renda variável demandaram uma atenção especial por parte dos gestores de carteira. Com a expectativa de redução da taxa de juros mais para frente no ano, o mercado já iniciou ajustes nos preços. Isto se refletiu nos volumes negociados no mercado à vista de ações da B3.  

O volume financeiro médio diário alcançou R$ 26,9 bilhões, indicando um crescimento em relação ao trimestre anterior, embora tenha havido uma retração na comparação anual. 

 

O que esperar do 3º trimestre (3T24) 

À medida que o mercado de renda variável se movimenta para o 3T24, o olhar do investidor deve estar atento às prévias operacionais das empresas listadas. Estes relatórios são ferramentas importantes para tomada de decisão e gerenciamento da carteira de investimentos.  

Confira abaixo algumas projeções para o 3T24 em renda variável de acordo com prévias operacionais e análises de mercado divulgadas pela XP Investimentos.  

 

Raízen (RAIZ4)  

Para a Raízen (RAIZ4), percebe-se que, embora a empresa tenha demonstrado uma recuperação significativa em relação às produtividades agrícolas, ainda enfrenta desafios no segmento do etanol. 

Durante a safra de 23/24, a Raízen alcançou uma tonelada de cana-hectare (TCH) equiparável à média do setor, um indicativo de que os investimentos em produtividade estão rendendo frutos. Isso possibilitou não só a redução dos custos como também a valorização no mercado do açúcar. 

No entanto, em relação ao açúcar: 

  • Vendas: Redução de 6% em comparação com estimativas anteriores. 
  • Volumes: Queda de 8% ante os volumes projetados. 

Esses resultados inferiores aos esperados indicam um potencial risco baixista nas projeções para o etanol. Com base nos volumes e preços divulgados, estima-se que o EBITDA ajustado consolidado para o terceiro trimestre possa ser 2% menor. 

Quanto à Mobilidade: 

  • Volumes na América Latina e Brasil estão alinhados com as expectativas. 
  • Expectativa de melhora na rentabilidade apoiada pelas informações da Raízen, mesmo com o aumento da oferta de diesel ao longo do trimestre. 

São Martinho (SMTO3) 

No segmento do açúcar, espera-se um desempenho favorável, refletido por um crescimento nos volumes de produção em torno de 7% comparado ao mesmo período do ano anterior.  

Adicionalmente, os preços do açúcar se mostraram robustos, com uma elevação estimada em 20%. A consequência direta desses movimentos é um fortalecimento presumido da margem EBITDA ajustada. A queda nos custos dos insumos e o ganho em produtividade são os propulsores da margem ascendente. 

Por outro lado, a atenção também deve se voltar para a área de etanol da companhia. As indicações referentes ao etanol são menos otimistas, principalmente pelas quedas de preços em torno de 10% no trimestre.  

Os números indicam um impacto esperado nos resultados da São Martinho, mas há uma projeção de crescimento nas vendas de etanol de 24% em relação ao trimestre anterior, sinalizando uma provável reação às acumulações de estoques passadas. 

Perspectivas para o açúcar: 

  • Preços em alta: Média de hedge para 24/25 em R$24,60 (+9,1% em relação a 23/24). 
  • Produtividade: Melhoria operacional potencial. 
  • Custos: Redução influenciando positivamente a margem. 

Reflexo no mercado de etanol: 

  • Preços: Redução média estimada em ~10%. 
  • Vendas: Incremento projetado de 24% T/T. 

O cenário para investimentos em ações da São Martinho parece transitar entre tendências diversas, com fatos relevantes como a dinâmica positiva do açúcar que poderá impulsionar os resultados futuros, enquanto o etanol de milho traz expectativas mistas, aguardando uma concretização do crescimento. 

 

Jalles (JALL3)  

Nos últimos resultados trimestrais da Jalles (JALL3), os números apontam para uma performance positiva, destacando-se o setor açucareiro da empresa. Houve um expressivo incremento de 28% no volume de vendas de açúcar em comparação com o mesmo período do ano anterior.  

Esse crescimento foi impulsionado em parte pelas táticas de hedge adotadas pela companhia e pelo aumento de aproximadamente 8% no preço médio de açúcar, influenciado pela preferência do mercado por açúcar orgânico. 

Desempenho do açúcar: 

  • Volume de venda: Aumento de 28% A/A. 
  • Preço médio: Aumento de ~8% A/A. 
  • Receita bruta: Crescimento de 36% A/A. 

Além disso, projeções indicam uma redução de quase 6% nos custos caixa unitários, refletindo eficiências operacionais e a diluição de custos. 

No entanto, no segmento de etanol, os resultados foram menos vigorosos, marcados por significativas quedas em volume e preço. Com um mercado desafiador, a Jalles promoveu a aceleração nas vendas, o que refletiu uma demanda mais forte e uma tentativa de diminuir os riscos. 

Desempenho do Etanol: 

  • Volumes pró-forma: Diminuição de 26% A/A. 
  • Preço: Redução de cerca de 10% A/A. 
  • Receita bruta: Decréscimo de quase 40% A/A. 

Os resultados do etanol impactaram as margens, tendendo a um ponto de equilíbrio no período. Apesar dessa retração, o desempenho do açúcar foi suficiente para manter os resultados da Jalles no positivo, demonstrando a capacidade da companhia de balancear seus portfólios. 

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