Selecione a página

Até o Tesouro oscila: por que volatilidade não é motivo para fugir do investimento

Até o Tesouro oscila: por que volatilidade não é motivo para fugir do investimento
A marcação a mercado explica por que até o Tesouro Direto, considerado o investimento mais seguro do país, pode cair de um dia para o outro. Foi o que aconteceu no início desta semana. Logo após o segundo turno da eleição presidencial, o Tesouro Prefixado 2029 perdeu cerca de 4,6% do valor em um único pregão.

Muita gente escolhe a renda fixa justamente para fugir das oscilações da bolsa. Por isso, a queda assustou. Mas ela traz uma lição útil para qualquer investidor: volatilidade não é o mesmo que prejuízo.

Neste post, explicamos o que aconteceu, como funciona a marcação a mercado e o que fazer quando a carteira oscila.

O que aconteceu com o Tesouro Prefixado depois da eleição?

No primeiro pregão após o resultado do segundo turno, os juros futuros subiram com força. A taxa do Tesouro Prefixado 2029 saltou de 12,76% ao ano, no fechamento de sexta-feira (23/10), para 15,26% ao ano na segunda-feira (26/10). Segundo levantamento do InfoMoney, essa foi a maior alta diária desde o início da série histórica do Tesouro Direto, em 2004.

Pelos nossos cálculos, R$ 10 mil aplicados nesse título na sexta passaram a valer cerca de R$ 9.540 na segunda. Ou seja, uma queda de aproximadamente R$ 460 em um dia. Desde então, a taxa recuou um pouco e fechou a quinta-feira (29/10) em 14,93% ao ano.

Aqui no blog, já tínhamos mostrado o que o primeiro turno sinalizou para a economia e os investimentos.

O que é marcação a mercado?

Marcação a mercado é a atualização diária do preço de um investimento de acordo com as condições do mercado naquele dia. No Tesouro Direto, o preço de cada título muda conforme as taxas negociadas.

A lógica é simples. Imagine que hoje você consegue comprar um Prefixado que paga 15% ao ano. Nesse caso, ninguém aceitaria pagar o mesmo preço por um título que rende 12,76%. Para continuar atrativo, o título antigo precisa ficar mais barato.

Por isso, a relação entre juros e preço é inversa:

  • Quando os juros sobem, o preço dos títulos que já existem cai.
  • Quando os juros caem, o preço desses títulos sobe.

Além disso, quanto mais longo o prazo do título, maior tende a ser a oscilação. Ou seja, a segurança do Tesouro está no emissor, o governo federal. Essa segurança não significa que o preço fique parado.

Quem não vendeu o título perdeu dinheiro?

Não. A queda de R$ 460 só vira perda de verdade para quem vende o título naquele momento. Quem leva o Prefixado 2029 até o vencimento, em 1º de janeiro de 2029, recebe exatamente a taxa contratada na compra.

No nosso exemplo, os R$ 10 mil aplicados a 12,76% ao ano chegam a cerca de R$ 12.970 no vencimento, antes do Imposto de Renda e da taxa de custódia. A oscilação desta semana não muda esse valor final.

Por outro lado, a marcação a mercado também pode trabalhar a favor do investidor. Se os juros caírem antes do vencimento, o título se valoriza. Nesse caso, quem vende antes pode ganhar mais do que a taxa contratada.

Como fica o Imposto de Renda na venda antecipada?

O Tesouro Direto segue a tabela regressiva do Imposto de Renda. A alíquota incide apenas sobre o ganho e diminui conforme o tempo de aplicação:

  • Até 180 dias: 22,5%
  • De 181 a 360 dias: 20%
  • De 361 a 720 dias: 17,5%
  • Acima de 720 dias: 15%

Além disso, vendas em menos de 30 dias pagam IOF sobre o rendimento. Se a venda gerar prejuízo, como no exemplo da segunda-feira, não há imposto a pagar.

Também existe a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano sobre o valor investido. Ela vale tanto para quem vende antes quanto para quem segura o título até o vencimento.

A mesma lógica vale para a bolsa?

Em parte, sim. Ações não têm vencimento nem taxa contratada. Além disso, costumam oscilar mais do que um título público. Por isso, o risco é maior e o prazo de investimento precisa ser mais longo.

Mesmo assim, o princípio é parecido. O preço de hoje reflete as condições e o humor do mercado de hoje. Ele não mostra, necessariamente, o valor de longo prazo do investimento.

Quem vende no pior momento transforma uma oscilação em perda definitiva. Já quem tem objetivo claro e prazo compatível com o risco atravessa esses períodos com mais tranquilidade.

Como lidar com a volatilidade da carteira?

  • Defina objetivo e prazo para cada investimento. Dinheiro que você pode precisar em breve não combina com ativos que oscilam muito, seja um título longo, seja uma ação.
  • Diversifique. Combinar renda fixa e renda variável, com prazos diferentes, reduz o impacto de um movimento brusco em um único ativo. Vale também entender como diversificar no exterior.
  • Evite decisões no calor do momento. Antes de vender por causa de uma queda, pergunte se o motivo do investimento mudou.
  • Acompanhe a carteira como um todo. Olhar só para o ativo que caiu distorce a visão do seu patrimônio.

Perguntas frequentes

O Tesouro Direto pode dar prejuízo?

Sim, se você vender o título antes do vencimento em um momento de juros em alta. Nesse caso, a marcação a mercado reduz o preço de venda. Quem mantém o título até o vencimento, por outro lado, recebe a rentabilidade contratada, porque o Tesouro Nacional garante o pagamento.

Todo título do Tesouro sofre marcação a mercado?

Sim, todos têm o preço atualizado diariamente. A diferença está na intensidade. O Tesouro Selic oscila muito pouco, porque acompanha a taxa básica de juros. Já os prefixados e os atrelados ao IPCA, sobretudo os mais longos, variam bem mais quando os juros mudam.

Por que os juros sobem depois de uma eleição?

Os juros futuros refletem as expectativas do mercado sobre inflação, contas públicas e política econômica. Quando um resultado eleitoral muda essas expectativas, os investidores passam a exigir taxas maiores ou menores. Por isso, os preços dos títulos se ajustam rapidamente, às vezes em um único dia.

O que acontece se eu vender o título depois de uma queda?

Você realiza a perda, ou seja, transforma a oscilação em prejuízo efetivo. Se o título continuar na carteira, o preço pode se recuperar, e você ainda pode levá-lo até o vencimento. Portanto, a decisão depende do seu objetivo, do seu prazo e da sua necessidade de dinheiro.

Ações também têm marcação a mercado?

Na prática, sim. O preço de uma ação muda a cada negócio na bolsa, conforme a oferta e a demanda. Por isso, a carteira de renda variável oscila todos os dias. A diferença é que ações não têm vencimento nem taxa contratada, então o horizonte de investimento costuma ser mais longo.

Como acompanhar a marcação a mercado dos meus investimentos?

As corretoras mostram o valor atualizado de cada título no extrato. Para ter a visão completa, porém, o ideal é reunir todos os investimentos em um só lugar. Assim, você compara a rentabilidade de cada ativo com os principais indicadores e enxerga o efeito no patrimônio total.

Conclusão

A alta dos juros desta semana mostrou que nenhum investimento está livre de oscilações, nem o Tesouro Direto. A marcação a mercado faz o preço mudar todos os dias. Portanto, entender esse mecanismo ajuda a separar oscilação de prejuízo, seja na renda fixa, seja na bolsa.

Para enxergar esse efeito com clareza, vale ter todo o seu patrimônio em um só lugar. Na Mycapital, você acompanha a variação e a rentabilidade de cada ativo, comparadas aos principais indicadores do mercado. Conheça a gestão de carteira da Mycapital.


Fontes: taxas do Tesouro Prefixado 2029 segundo InfoMoney e Tesouro Direto. Simulações elaboradas pela Mycapital, com valores aproximados e antes de impostos e custos.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e não constitui recomendação de investimento.

Deixe uma resposta

Banner Calculadora IR